Austrália: mantendo a cultura brasileira

Quando se muda para o exterior, muita coisa na vida muda. Ganha-se muito, mas perde-se também. A cultura do seu país é algo que, entre muitas outras coisas, inevitavelmente, aos poucos, se perde. É claro que o Brasil está dentro de nós, mas cada carnaval que passo longe, meu coração dói de saudades da energia, da festa, da bagunça, das músicas, do feriado longo (aqui nunca tem feriado com mais de 4 dias, e são poucos no ano).

Difícil pensar o que da cultura brasileira mais eu gosto. Amo o Ano-Novo. Sempre amei. Todo mundo de branco na praia, pulando as sete ondas, até os fogos de artifício (que não são nada bons para os animais e crianças), eu gosto. Carnaval é o máximo também, e muito difícil de descrever para os australianos. Dá para tentar explicar que o trio elétrico é um caminhão grande com o cantor no topo cantando e milhares de pessoas em volta cantando e aproveitando. Isso é Salvador. Rio e São Paulo dá para explicar numa escala menor; eles acham um barato que os desfiles são mais para estrangeiros ver, e acham doido que eu nunca fui assistir de perto.

Ainda temos as festas juninas que são demais. As comidinhas são deliciosas, as bebidas, e tudo que as envolve, como se vestir de caipira, a decoração, a quadrilha.

Das tradições, talvez o Ano-Novo seja a mais difícil de manter. Achar um lugar que tenha fogos de artifício, dê para pular as 7 ondas e vestir branco sem medo de ser feliz. Fogos em Sydney tem, mas é uma festa australiana. Ninguém veste branco, só nós. Escrevi um texto sobre minha experiência no Ano-Novo aqui. Já passei a virada do ano em Esperance, uma praia remota no Sul da Austrália Ocidental (Western Austrália) a 30 minutos de Perth, em Sydney, e em Perth.

Porém, mais que a cultura brasileira, quem mora fora tem que cuidar do idioma nativo, porque usando-o menos, aos poucos, vai-se perdendo. Quem nunca morou fora acha coisa de gente fresca isso de esquecer o português, mas quem já o fez, irá se identificar. E olha que em casa falamos só português, mas mesmo assim, há palavras que eu não lembro. Antes de ter filho, falava em inglês, mas agora me esforço para usar os termos em português com minha filha. Confesso que até eu acabo preferindo o inglês em vez do português. E para escrever então? Uma lástima!

Bem, então como fazemos para manter a cultura brasileira morando fora? Para mim, a forma mais, digamos assim, forte, é dentro de casa. Ouvimos samba, fazemos churrasco, comemoramos as datas especiais. Com o passar dos anos, fomos nos adaptando ao que temos e procurando mais festas, instituições, associações. E agora com filho, a vontade de manter nossas raízes aumentou ainda mais.

Aqui na Austrália Ocidental (Western Austrália) tem uma associação, sem fins lucrativos, chamada Brazil WA. Ela é administrada e tocada por brasileiros que organizam muitos eventos, além de facilitar coisas burocráticas, como um consulado itinerante em Perth. Já fui em Festa Junina, Carnaval, só falta um Ano-Novo!

A festa junina é um super evento, com banda de forró, quadrilha, barraquinhas com as nossas comidinhas. Tem de tudo, pastel, esfirra, coxinha, churrasco (espetinho, claro), vinho quente e quentão, curau, milho verde. Uma decoração linda, um clima bem família. Ano passado teve até animais da fazenda para as crianças. É claro que, todos os anos, reunimos os amigos e fazemos a nossa festa junina na casa de alguém.

O Carnaval é muito bacana. Todo mundo fantasiado, tocando marchinhas, samba, serpentina, confete. Minha filha amou, se divertiu muito este ano, que fomos com ela. Tinha tanta criança, muitas famílias. Tiveram momentos que me senti nos bailes de carnaval (baile da espuma) do Iate Clube, em Itanháem-SP.

Outra associação bem bacana é o Perfil Casa da Mãe. A organizadoras têm até grupo de mães brasileiras para incentivar essa meninada a falar português (se você chegar perto dos grupos de crianças, vai perceber que rola mais o inglês, mas depois da ‘bronca’, todo mundo volta pro português, até as mães se distraírem no papo e o inglês dominar de novo). Há, inclusive, aula de português e capoeira para crianças. Fora o que acabamos conhecendo outros brasileiros, que é uma delícia. Forma-se uma rede de ajuda linda.

Por um tempo tivemos somente uma churrascaria em Perth, mas de uns anos para cá, vários restaurantes brasileiros estão abrindo (quando falo que tem brasileiro pacas aqui…) Até concorrência tem. Bom para nós!

Hoje em dia, a cultura brasileira em Perth (ainda mais depois da Copa do Mundo e das Olimpíadas) está tão difundidas que tem até restaurante comemorando Carnaval. Na verdade outro tipo de Carnaval, porque tocou música mexicana e salsa, mas tá valendo.

Feliz de pensar que já estamos em maio, e logo virá a festa junina e com suas comidas deliciosas.

  • Post publicado originalmente no BPM
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