Austrália: Gravidez por aqui

Engravidar é sempre uma grande mudança nas nossas vidas. O procedimento em cada país é diferente. Eu sou tia de 5 crianças incríveis (uma de 21 anos) então, sei como funciona no Brasil. Compartilhei os momentos com minha irmã e várias amigas que tem filhos.

A primeira grande diferença é como se descobre que está grávida. No Brasil, você faz o exame de farmácia e vai ao médico (normalmente seu ginecologista) para confirmar através de um exame de sangue. Na Austrália, o exame de farmácia é suficiente para determinar se você está, ou não, grávida. O médico (Clínico Geral), fará de novo o mesmo exame de farmácia para ter certeza. Assim que esteja confirmada a gravidez, começa o acompanhamento com o Clínico Geral.

Na primeira consulta, já é agendado um ultrassom para confirmar se a gravidez é viável ou não, ou seja, se está no útero. É o ultrassom de 6 – 8 semanas, aquele que o bebê parece um feijãozinho. Uma série de exames de sangue também são pedidos. Então, no retorno, o clínico explica quais as opções que farão toda diferença no pré-natal e parto.

arquivo pessoal
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Meu feijãozinho com 6 semanas – arquivo pessoal

 

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Basicamente, é a hora de escolher: Público, Privado ou Family Birth Centre (Centro familiar de Nascimento), ou seja, você escolhe entre sistema público ou privado de saúde. Ainda tem a opção de parto em casa, mas esse é um assunto para outro post. Se escolhe público, será encaminhado para o hospital público mais próximo da sua casa e o acompanhamento da gravidez será feito por uma parteira com consultas a um obstetra, se necessário. Não se escolhe a parteira, nem o obstetra, você marca a consulta e quem estiver trabalhando, lhe atenderá. A grande vantagem do público é que, para quem é residente ou cidadão, é tudo de graça, pago pelo governo. Para estrangeiros, não (já explico).

Se escolher privado, precisa escolher o hospital e, aí, o clínico geral fornece uma lista de Obstetras (OB) que atendem naquele hospital e começa a caça pelo OB. Eu estava grávida de 8 semanas (2 meses) quando comecei a ligar. Primeiro, que é muito estranho porque ainda tem risco de perder até os 3 meses e você já tem que escolher hospital e o obstetra que fará seu parto. Liguei para 7, todos sem vaga. O oitavo tinha. Eu já estava suando, desesperada, achando que ia ter que mudar de hospital quando consegui uma consulta. Ufa!

Como mencionei acima, para residente ou cidadão australiano, sistema público de saúde é de graça (bem, para isso você paga imposto), e para estrangeiro, não. Essa foi uma das razões para nós termos escolhido particular. A outra, o público da nossa vizinhança não é bom e a terceira, como é minha primeira gravidez, eu queria que o acompanhamento fosse feito pelo mesmo médico, não um diferente a cada consulta. Porém mesmo se optar pelo sistema privado não significa que terá 100% dos custos cobertos pelo seguro. Descobri isso na minha primeira consulta na OB. Assim que agenda, a secretária manda uma lista com os gastos que terá. Outra diferença entre público e privado são os ultrassons. Minha OB tem um equipamento na sala dela, então em toda consulta vejo meu bebê. Público, não tem. Outra informação importante: a regra é que o parto será normal. Se a sua ideia é ter uma cesárea, vá para o privado. No público, cesárea só se for de emergência.

Aqui na Austrália, a maioria dos seguros privados de saúde funcionam com reembolso. Você paga, eles reembolsam. Nós fechamos um seguro mais top pensando em engravidar. Aliás, esse é um detalhe super importante: a maioria dos seguros tem carência de um ano a custos relacionados a gravidez, portanto, cheque antes para não morrer no prejuízo depois.

Se escolhe o Family Birth Centre, o acompanhamento é sempre feito por uma parteira. O Family Birth Centre é um local anexo ao hospital (aqui em Perth só um hospital tem) que parece uma casa, e a ideia é parto normal, sem anestesia, na banheira, mas sem ser em casa. E se precisar, é só correr para o hospital.

Na lista de gastos estão as consultas (mensais até 32 semana, aí passa a ser quinzenal e da 36 semana até o parto, semanais), o parto (normalmente coberto 100% pelo convênio, com exceção do anestesista que é sempre por fora) e um tal de birth plan (plano para o nascimento), que determinará como você espera que seja seu parto. Nunca tinha ouvido falar nisso, então achei super interessante. Você senta com sua OB e conversa sobre detalhes do parto, como se quer anestesia, ou não (Epidural), ou que tipo de medicamento você quer (pode ser só natural como água quente ou remédio mesmo), se quer cortar o cordão umbilical, se autoriza pessoas na sala de parto (estudantes, por exemplo).

Aos 3 meses de gravidez, é feito um ultrassom para verificar se o bebê tem Síndrome de Down; depois, com 20 semanas, o morfológico como conhecemos no Brasil, que é o mais importante. Mede os órgãos, vê se está tudo certo. Com 26-28 semanas, fazemos um exame de sangue para verificar diabetes gestacional, uma complicação na gestação que é tratada com alimentação. Basicamente, esse é o pré-natal.

Com mais ou menos 4 meses (16 semanas) dá para tentar saber o sexo do bebê. O exame de sangue que se faz no Brasil, é bem caro aqui e não muito comum. Muitos australianos esperam para saber e outros, fazem um ultrasom chamado gender reveal (revelar o sexo) para saber. Isso em uma clínica específica.

Quem estará com você durante o parto são parteiras (hospital ou não hospital; público ou privado). O Obstetra acompanha, e intervém, se necessário. No meu parto, a obstetra quase não chegou. Passei o tempo todo com meu marido, a Doula que contratamos, a parteira que estava no turno e uma enfermeira que ia e vinha.

Na minha experiência, o birth plan foi bem respeitado. Eu queria um parto natural, sem nenhuma intervenção e foi o que tive. A parteira da tarde, especialmente, foi maravilhosa.

Um detalhe importante sobre gravidez na Austrália: grávida aqui não tem preferência a nada. Filas, sentar no trem. Não tem estabilidade no emprego. Se o seu empregador quiser lhe mandar embora, pode sem cerimônia. O único benefício é garantir seu emprego por um ano de licença maternidade. A licença maternidade é paga pelo governo, só australianos têm direito e o valor não é seu salário integral. Porém, é muito comum você pedir para voltar para o trabalho, por meio período ao invés de integral, e eu conheço CEO de empresas que trabalham meio período.

A Austrália é um país muito bom para ter uma família, mas vale a pena pesquisar bastante e se programar para não acabar gastando muito. Uma coisa é certa: quem sonha com parto normal, está no lugar certo. É muito incentivado e a cesárea só em caso de emergência.

See ya

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19 comentários sobre “Austrália: Gravidez por aqui

  1. Nossa, super importante e esclarecedor seu post, ainda não tenho filhos , como estou passando do ponto , e o curso que meu marido vai fazer , é de 2 anos , é provável que engravide ainda na Austrália ( se assim Deus permitir). Já estou com tensa( risos)! Vamos fazer o seguro obrigatório de 150k de cobertura, você entende que é suficiente ?
    Parabéns pelo post !

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    1. Oi alicia,
      Então, se você está pensando engravidar aqui, veja no plano de saúde OSHC de vcs para cobrir maternidade. Isso é o mais importante. Como funciona o seguro que vocês estão fechando, eles dão um limite de cobertura por valor? Se fosse particular aqui, vocês gastariam uns $50k, então acredito que sim :-).
      Qualquer outra dúvida, me avisar
      Beijos

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      1. Obrigada Aline, fechei já o seguro do primeiro ano ! A cobertura em valores é dividido em várias pontos de utilização (tipo de serviço ). Acho que não terei problema , como no primeiro ano não devo engravidar, será um momento de avaliação do seguro. Aqueles exames que as mulheres fazem anualmente, não existe na Austrália ?

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      2. Só não esquece de colocar no seguro gravidez pois a franquia é de um ano. Aí quando você estiver pronta, o seguro cobre tudo. E se você resolver mudar de seguro, não precisa cumprir nova carência :-).
        Tem, mas é um pouco diferente. Papanicolau esse é o último ano que ele vai fazer, pois terá vacina de Hpv. Eles fazem a cada dois anos. Exame de sangue, o clínico geral te passa, mas mamas é ultra-som e você precisa pedir e explicar. A minha médica ensinou a fazer toque, auto exame. Eles são muito sussa. O transvaginal eles não fazem, só fiz qdo engravidei.

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  2. Obrigada pelo retorno Aline! Vou falar com a agência sobre a questão da gestação, o seguro ta fechado mais a apólice só quando a passagem for emitida, o que deve ocorrer nas próximas semanas.

    Abraço

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      1. Tava pensando aqui com meus botões , hoje moro em Recife, mas sou de Curitiba , nos meus 8 anos aqui , meus país nunca vieram me visitar , minha mãe é cheia de medos e sempre acha desculpa. Sempre pensava , como vou ter um filho longe da minha mãe ? Quem vai me ajudar ? Quem estará comigo nos momentos difíceis ? Mas pelo tempo que te acompanho , (já te falei que lhe admiro muito?).Pra mim você é uma inspiração , através dos seus post’s decidi enfrentar e mudar de país. Te agradeço por isso , mas fiquei pensando como deve ser viver com um filho longe dos avós , tias , madrinhas, estou certa de que você administra isso muito bem !

        Beijo

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      2. Alicia, você não tem ideia do quão maravilhoso é ler que te motivei a enfrentar seus medos e vim. Eu escrevo com muito amor, mas com os pés no chão para mostrar para as pessoas qie é possível mas não é um paraíso. Pode ser um paraíso, mas requer muito suor. Fico muito muito feliz mesmo. Obrigada, to toda envergonhada aqui com seus elogios. Obrigada :-).
        Olha, não é fácil, ms temos muito apoio e suporte. To escrevendo um post sobre algo incrível que deveria TANTO ter no Brasil chamado Grupo de mães. Tem isso, que salva minha vida. Ai tem as enfermeiras que tem consulta a cada 6 semanas, mais a consultora de amamentação. Tem uma help line que você liga sempre que tiver dúvida (eu uso muito). E tem os amigos que são incríveis e um mega suporte.
        É difícil mas dá para dar conta sim. Penso isso também, puxa, estou criando minha filha longe da família. Mas o que se ganha aqui é maior do que se perde lá. Tem que ser, senão não vale a pena. E tem grupo de mães brasileiras também. Nos achamos, nos unimos e apoiamos.
        E mantemos a cultura brasileira viva, nas festas tradicionais, com os amigos e a lingua em casa.
        Beijos

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  3. Eu que agradeço por compartilhar aqui toda sua experiência! Eu estou preparanda para 2 anos de muito suor, mas sei que tudo vai valer a pena!

    Sou de Curitiba, vou em agosto já me despedir da minha família !

    Deus está comigo , preparando cada passo até a chegada em Perth.

    Não fique com vergonha não , fique orgulhosa, está mudando a vida de pessoas, está ajudando a deixar sonhos para o campo da realidade.

    Beijos

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    1. Fico muito feliz em ajudar e em inspirar as pessoas a realizar seus sonhos. É possível! Isso que quero mostrar. E ajudar em mil dúvidas que eu tinha quando cheguei e bati a cabeça até descobrir.
      A família do meu marido é de Curitiba também, sempre que vamos pro Brasil damos um pulinho lá. Boa sorte com os preparativos.
      Estou aqui para o que precisar. Fecharam as passagens? E os cursos?
      Beijos

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  4. Oi Aline, achei muito informativo esse post! Que doula você usou? Ela te acompanha e te dá suporte antes do parto ou só no dia? Estava lendo sobre doulas em uma revista de maternidade aqui. Não estou grávida ainda mas eu e meu marido estamos pensando no assunto e queria já ter uma ideia de como as coisas funcionam aqui. Obrigada!

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    1. Oi Camila td bem?
      Você está na Austrália? A minha doula chama Esther ela foi maravilhosa. Eu contratei ela com seis meses de gravidez. Ela deu suporte antes, durante e depois. E por tel ou e-mail quantas vezes eu precisei. Ainda tenho contato com
      Ela. Cada uma tem um plano e opções. A Esther tem três planos. Se sua ideia é
      Parto natural eu recomendo fortemente. Ela ainda pode ajudar com hynoborthing, você já ouviu falar?
      Pode me mandar as dúvidas que tiver e se estiver em Perth posso passar o contato dela 🙂
      Beijos

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  5. Sim, estou em uma cidade perto de Perth. Deve ser ótimo receber esse suporte, principalmente não tendo a família por perto. Eu gostaria de ter um parto normal sim. Comecei a ler sobre hynobirthing mas não sei muito sobre o assunto.
    Quem foi sua obstetra? Não imaginava que era tão difícil de conseguir um OB.. você teve que ligar pra 7? Nossa! E em qual hospital você deu a luz? Já deve ter essa informação em outro post né.
    Um bom Natal pra você e sua família!!

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    1. Camila, respondi seu email mas segue aqui de novo 🙂
      Oi Camila, tudo bem?
      Eu tive a Amanda no St Jhon of God da Murdoch e tive natural. Essa taxa de ces’area, de acordo com a minha OB, é por conta das mães que pedem cesárea não dos médicos. Até porque os médicos só interferem qando asmães pedem ou as parteiras sinalizam, ou esta demorando muito, etc.
      Minha OB é a Dr May Al-Tamimi e eu amei ela. Ela é iraniana, tem um estilo bem brasileiro, atendimento detalhado, ultrasom em toda consulta haha. Nosso plano é HBF tambem e eu tive uma experiência maravilhosa.
      Você já sabe o sexo? Para quando é? Agora sim, a Doula fez TODA diferença. Segue o contato dela, pode falar que eu indiquei. Ela é demais.

      Hester: doula_hester@iinet.net.au
      tel 0488612975

      Me conta o que achou dela depois 🙂

      Ah outra coisa, aconselho você procurar um Tens MAchine para parto. se quiser ter parto natural. Salvou minha vida 🙂
      Hypnobirthing é controle da mente sobre o corpo, é entender que a contração significa o bebê mais próximo de você e você aprende a controlar a dor com respiração. O máximo.
      Sim, liguei para um monte, foi o maior stress. Liga para Dra May, fala que eu te indiquei, a secretária dela, a Danni é uma fofa.
      Manda not;icias e parabéns pela gravidez :-).

      Beijos

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  6. Muito obrigada por explicar tudo isso tão detalhadamente Aline!! Estava lendo seu email agora 🙂 muito bom saber todas essas informações por outra brasileira que já passou por isso antes. Vou responder seu email. Beijos

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