Austrália: a vida em Perth

O começo da vida em outro país é muito difícil. Você ainda está se adaptando à cidade, não sabe onde fica nada, não conhece ninguém. Mora em um lugar provisório, não tem trabalho, morre de saudades da família. Nem internet ainda tem e precisa ficar indo nos lugares públicos ou comprar os modens 3 G. Literalmente tem que começar tudo do zero.

Aos poucos, porém, as coisas vão se acertando. Você acha um lugar para morar e conhece um pouco mais seu bairro. Descobre o supermercado que mais gosta, qual ônibus pegar para os lugares. Nas aulas de inglês começa a conhecer algumas pessoas e alguns brasileiros (eu juro que tentei fugir, mas fazer o que, no final é gostoso tê-los perto, lembra o Brasil). Entende melhor o inglês (eita sotaque complicado, meu Deus!) e começa a se sentir mais em casa.

Hoje, dois anos após estar aqui, me sinto em casa. Sinto que minha vida é aqui e a única coisa que sinto falta mesmo do Brasil são as pessoas – e às vezes a comida, porque a maioria das coisas tem aqui.

A vida em Perth é calma, é uma cidade família. Vou escrever um pouco sobre a cidade e a vida em geral.

Qualidade de vida: é o que todo mundo busca quando vem para cá. E sim, temos. A cidade é tranquila, segura  – claro que tem assalto, roubos e casas arrombadas mas a quantidade é muito pequena comparado ao que eu estava acostumada em São Paulo. Você anda na rua à meia-noite sem olhar para trás a cada segundo, sem medo de ser assaltado ou para nós, mulheres, pior. Você mora em casa na rua sem segurança privada, câmeras e duplos portões. Usa o seu iPhone 6 na rua sem medo de ser assaltado. Abre seu iPad no trem e vai para casa vendo a última temporada de Revenge de boa.

MInha casa sem grades, portoes ou seguranca
Minha casa sem grades, portões ou segurança (foto: arquivo pessoal)

Segurança: não só o medo de não ser roubado, mas a certeza de que se você é trabalhador e não liga de trabalhar no que tiver que trabalhar, de fome você não morre. Na crise, se perder o emprego, trabalhar como garçonete até arrumar outro emprego é normal e assim você paga as contas. Se você tem a cidadania australiana, tem um monte de ajuda do governo. Se quiser mudar de área, tudo bem. E se quiser ter filho e ficar um tempo sem trabalhar e decidir voltar depois de um tempo, tudo bem também.

Educação: tem escola privada e pública. A pública é de graça para australiano ou quem tem residência permanente. As privadas são bem caras, custam em média 15 mil dólares australianos/ano. E você só pode colocar seus filhos nas escolas na vizinhança da sua residência. Universidade todo mundo paga, mas as taxas para estrangeiros são muito mais altas, e os australianos têm opções de uns financiamentos bacanas. Mestrado e Doutorado são de graça para australianos e residentes permanentes, e pagos para estrangeiros. Em creches e escolinhas para crianças, australianos têm uma super ajuda do governo, de acordo com sua renda anual – quem ganha mais paga mais e quem ganha menos, paga menos; estrangeiro não tem essa ajuda.

Transporte: transporte público é caro. Estudante tem desconto, mas custa caro. Moro em um bairro do lado do centro, um ônibus para a cidade custa 1,50 dólares australianos. O valor da tarifa depende da distância do centro. Os horários também ficam mais esparsos depois das 7 da noite no trem, e algumas linhas de ônibus param depois de certo horário. Bicicleta é um transporte largamente utilizado, seguro e recomendado e temos uma balsa que cruza o rio que é uma delícia. Quem mora perto do centro expandido tem os cats, ônibus de graça. Para mais informação a respeito do transporte local, clique aqui. O “bilhete único” daqui chama Smart Rider e vale a pena fazer. Se você recarrega automático tem 25% de desconto na tarifa (mega desconto).

Andando de bike em Perth

Saúde: Como condição do visto de estrangeiro precisa-se pagar seguro saúde. E tudo funciona diferente. Tão diferente que eu vou escrever um texto sobre isso mais para a frente.

Moradia: veja meu outro texto sobre o assunto.

Restaurantes: eu nunca entendi como as pessoas falam que Perth é parada. O clima da cidade é mais de interior, sim, e dependendo do bairro que você mora, não tem contato com os eventos que acontecem na cidade e consegue ter uma vida de interior. Mas se quiser sair, tem restaurante, bares, cinema, teatro, shows, musicais.

Como a Mariana menciona no texto “Vida ao ar livre”, australiano ama outdoor. Parques, praia, rio, churrasco, festivais, feiras, jardins. E a cidade proporciona muita coisa de graça para aproveitar sem gastar muito.

O custo de vida aqui é caro e abordarei o tema em outro texto.

Perth é a terceira cidade com mais de um milhão de habitantes mais isolada do mundo. Isso significa que ir para Bali é mais barato que ir para Sydney.

A única desvantagem de morar aqui, no meu ponto de vista, é a distância de tudo. A Western Autralia é linda de viver, já viajamos para o sul e para o norte e amamos. Mas só agora, com os dois trabalhando na área, que conseguiremos ir para a East Coast conhecer Melbourne e Sydney. Foram dois primeiros anos de muita luta para, agora, conseguirmos desfrutar e construir nossas vidas. Hoje acredito que conhecemos a Perth do dia a dia e ela é um lugar incrível para se chamar de casa.

*Publicado originalmente no blog Brasileiras pelo Mundo

Anúncios

Um comentário sobre “Austrália: a vida em Perth

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s