Cultura aborígene na Austrália

Aqui na Austrália, assim que cheguei, achei bom ler um pouco sobre a cultura local. Para minha surpresa, a cultura local foi herdada dos ingleses (como comida, arquitetura). Isso é muito interessante. A Austrália não tem bem comida típica. Quando me perguntam qual é a comida típica aqui, sempre preciso pensar. Pois o mais típico é inglês, não australiano.

E a cultura aborígene, ou “nativa” da Australia? Os nativos dessa terra são os aborígenes. Um pouco de traços bem fortes e inconfundíveis. Nariz largo, pele escura que as vezes me parece vermelha as vezes bem negra. Cabelos escuros, olhos castanhos que parecem jabuticabas. Rosto redondo. É impossível confundir um aborígene com qualquer outro povo. Com os anos de invasão, começou a micigenação. E dai, um povo completamente diferente começou a surgir. Loiro, olhos claros, com os traços aborígenes.

Eu amo história e sempre quando viajo para algum país diferente, pesquiso a cultura, costumes e até algumas leis para não ter problema. Por exemplo, nos países árabes contato físico pode ser considerado crime. Sempre fico receosa em dar essas bolas foras.

Quando morei na Itália, um dia estava na aula e o professor perguntou se eu tinha feito a lição. Eu tinha esquecido e fiz aquele gesto com as mãos de tanto faz. Pois bem, em italiano isso significa “vai se ferrar” (ou um pouco mais agressivo que vai se ferrar, sabe)?

Na Índia, os ombros e os pés são vistos como erógenos e devem sempre estar cobertos. Recomendo fortemente sempre que você for viajar para um pais diferente, pesquisar cultura e costumes locais para não se ver em uma situação chata, ou mesmo perigosa. Portanto, sempre bom saber da cultura local para não marcar bobeira.

Os aborígenes são o povo – e sua cultura – que habitava a Austrália antes da colonização inglesa. Escrevi sobre o relacionamento entre aborígenes e australianos em um outro post. Uma loucura saber da postura dos australianos com os aborígenes.

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Geraldton

Gostaria de enfatizar que toda informação que escrevi nesse blog foi escrita após uma pesquisa que fiz em sites do governo australiano e perguntando para os Aussies. Não sou historiadora e, portanto, peço desculpas se cometi algum erro de informação, pois mesmo tomando todo cuidado do mundo pode acontecer.

Antes de falar sobre a cultura aborígene, eu gostaria de prestar respeito da mesma forma que eles prestam aqui, usando uma frase em inglês que traduzirei na sequência. Essa frase é usada sempre aqui, como uma forma de reconhecer os nativos da terra. Eu acho muito bonito e ate ja decorei de tanto que ouço.

“I respectfully acknowledge the past and present traditional owners of the land of the Indigenous people, the traditional custodians of this land, and respect their culture and identity which has been bound up with the land and sea for generations “(Eu, respeitosamente, reconheço o passado e presente e os donos originais da terra dos nativos, os guardiões tradicionais dessa terra, e respeito sua cultura e identidade que estão ligados a essa terra e mar por varias gerações)

Aboriginal and Torres Strait Islanders, (Aborígenes e Ilha de Torres) como são chamados os indigenous (nativos), têm a cultura mais antiga do mundo, por volta de 50.000 anos!

Herança cultural é vista como a forma de vida construída por um grupo de pessoas que é passado de uma geração a outra, herdado por nascimento. Na Austrália, e acredito que no mundo todo, a comunidade nativa mantém viva as tradições, rituais, o idioma e cultura passando de uma geração para outra.

Os nativos se organizam socialmente por clãs. Havia mais 600 clãs quando os europeus chegaram. Cada clã tinha seu dialeto, seus rituais e as habilidades necessárias para sobreviver de acordo com o território onde habitavam. Ainda há o sistema de parentesco, fazendo todos os nativos serem família de uma certa forma, tendo responsabilidades específicas dentro da grande família. O parentesco é importante para casamento, decisões políticas, leis, liderança. O relacionamento dos nativos com a terra é muito forte. Não é só a terra “solo”, mas todo o ambiente: animais, flores, água, solo, minerais.

O relacionamento com a terra não é só física, mas espiritual: a terra é o espírito e a religião do país. Os nativos são seminômades, migram de acordo com a disponibilidade de comida e água. Porém, cada clã tem o seu território e os limites entre os territórios é definido por fronteiras naturais, como rios, montanhas, lagos. Como nativos na região, eles possuem todos as habilidades para sobrevivência nestas regiões, habilidades essas que passam de uma geração para outra.

Algo muito importante para os nativos são as Dreaming Stories (tradução pode ser História dos Sonhos, mas em respeito a cultura nativa, usarei o nome em inglês). Essas histórias contam a origem da terra, dos rios, dos pássaros e animais em geral, das montanhas e lugares sagrados. Para os nativos, e de acordo com as dreaming stories, o espírito dos antepassados vieram para terra em forma de homem e por onde passaram foram dando vida a animais, plantas. Assim que estava tudo pronto, os espíritos se transformaram em árvores, pedras, estrelas e esses são os lugares mais sagrados para os nativos. A forma que eles contam como surgiram os rios, por exemplo, é através das Dreaming Stories: a História da Serpente Arco-Íris.

Muitos dos lugares sagrados estão localizados nos parques nacionais. Uma forma do governo conseguir manter e proteger esses locais. Talvez o lugar considerado mais sagrado na Austrália para os nativos é Uluru. Uluru é uma pedra gigante vermelha, que se encontra bem no meio da Australia, no North Territory.

Ela tem 348 metros de altura e quase 10km de comprimento. Para o povo Anangu (nome do clã que mora em Uluru), é o centro do universo e a casa da Mãe Terra.

A cultura nativa é representada de varias formas: dança, música, esculturas, pinturas. Uma das formas de representação de artes que eu mais gosto são os ‘dot painting‘ (pintura com pontos). Eu adoro, acho lindo. Porem não é uma tradição milenar, como a maioria, mas surgiu nos anos 70 após aulas de artes dadas por um professor não nativo, chamado Geoffrey Bardon, e hoje é uma das formas mais conhecidas de expressão da arte aborígene. Praticamente todo escritório de empresa ou prédio do governo tem exemplos nas paredes, não só por respeito a cultura, mas também por ser uma arte muito característica da Austrália e por ser realmente muito bonito.

O som mais ouvido pelos aborígenes são sons da natureza, e eles criaram vários instrumentos os reproduzindo. Um instrumento musical curiosíssimo é o “digeridoo”. Feito de madeira, tradicionalmente troncos ocos comidos por cupim, só podem ser tocados pelos homens. Para tocar, é necessário desenvolver uma técnica de respiração, e uma curiosidade é que por isso o instrumento ser ótimo para combater o ronco. O som é lindo, uma onda misturada com vento e constante.

Outra curiosidade a respeito dos nativos é em relação a caça. Segundo a cultura de alguns dos povos, eh pecado comer carne de um animal morto por causas naturais. Ele precisa ser caçado, e isto só pode ser feito por homens. Uma mulher não pode matar o animal para comer, pois segundo a tradição nativa, isto traz má sorte. Mas ao contrário do que se possa pensar, não é uma sociedade machista – a matriarca de cada clã é uma líder muito respeitada. Eh uma questão cultural dos papeis de cada um dentro do clã, e a caça é uma atividade masculina.

Quer saber mais? 

Aborígenes

Uluru

Australian Indigenous cultural heritage

Dot Painting

Rainbow Serpent

Post sobre relacionamento dos aborígenes e australianos aqui

Texto originalmente publicado no blog Brasileiras pelo mundo 

 

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