Austrália: Caminhos para sponsor em Educação Infantil

Você fechou sua viagem, veio para a Austrália para estudar inglês, fazer um curso na sua área, uma pós graduação e, depois de uns meses, não consegue se imaginar voltando para o Brasil? Se sim, você faz parte da grande maioria das pessoas que foram mordidas pelas maravilhas de morar na Austrália.

Mas e ai, o que eu faço então para conseguir um visto permanente? Os caminhos são inúmeros e cada caso é um caso. Eu não sou agente de imigração e eu recomendo fortemente você a procurar um para analisar quais são os caminhos para você. O que eu posso fazer é passar minha experiência e o pouco que eu descobri pesquisando e conversando com as pessoas. 

Ainda do Brasil, é possível aplicar para o ‘Skilled Migration Visa’, que é o visto através daquela lista que sai todo ano, e milhares de pessoas compartilham pelo Facebook, contendo as profissões em demanda na Austrália. Essa lista muda todo ano, as vezes mais de uma vez dependendo do Estado (existe uma lista para o país como um todo e mais uma outra específica para cada Estado) e da econômia, portanto, fique atento.

Primeiramente, importante explicar a diferenca entre o visto temporário, o visto de residência permanente e a cidadania. Resumidamente, ‘Visto Temporario’ é o que te da direito a morar aqui e trabalhar (meio periodo ou tempo integral dependendo do tipo de visto), mas não te dá direitos a serviços públicos como educação ou saúde. Como estudante você está nesta primeira categoria. ‘Visto de Residência Permanente’ (ou Permanent Resident – abreviado por PR) te dá direito a todos os benefícios públicos de um cidadão, como saúde pública (o Medicare), educação pública e benefícios sociais do Centrelink (equivalente a nossa Previdência Social), como licença maternidade e seguro desemprego. Finalmente tem a Cidadania. Muito parecida com o PR no que se refere a trabalhar e morar, mas com ela você também tem passaporte, você pode votar e trabalhar em alguns órgãos do governo que não aceitam PRs.

Para Educação Infantil, como em todas as áreas, existem vários caminhos, e vou explicar os que eu conheço um pouco mais. Primeiramente, tem o visto de trabalho 457, que é um visto temporário e é concedido com duração de 2 anos. Após este período é possível aplicar para Residência Permanente (PR). O 457 era um visto bem famoso quando cheguei aqui em 2012, especialmente no setor de mineração. As empresas iam atrás de estrangeiros com qualificação e os traziam para cá sob este visto (a empresa é um “Sponsor”, ou patrocinador do visto). Dois detalhes: como eu disse, ele é um visto de trabalho, ainda não é o PR. E quem paga por ele é a empresa (a empresa é um “Sponsor”, ou patrocinador do visto). Muitas pessoas fazem acordos com o empregador, de ele pagar oficialmente e descontar do salário da pessoa, mas legalmente não pode.

Existe também o Skilled Migration Visa, que não é um visto temporário, é PR direto. Para aplicar para este, você aplica por seus skills (qualificações) que devem estar na tal lista de demanda publicada e atualizada todo ano. Esse visto funciona mais ou menos assim: você dá uma olhada se sua profissão esta na lista de demanda. Se estiver, você precisa reconhecer a sua qualificação na Austrália e ter uma quantidade mínima de pontos para poder aplicar. Você ganha pontos de acordo com a experiência que tem na área, sua idade (quanto mais novo você for mais pontos) e pelo seu nível de inglês. Para reconhecer a sua qualificação na Austrália, você precisa saber qual é o órgão responsável pela sua área (por exemplo, para Engenharia é a Engineers Austrália). No site desta entidade terá todos os detalhes necessários para se reconhecer a sua qualificação aqui, o que muitas vezes implica em reconhecer seu Diploma na Austrália. Assim que voce reconhecer a qualificação, você pode aplicar para o visto se tiver a quantidade de pontos necessária (fale com um agente de migração para saber quantos pontos e se você se qualifica). Depois é esperar pela resposta. Para ter o visto por este caminho voce não precisa de uma oferta de trabalho e nem de estar na Austrália ainda, pode-se aplicar ainda do Brasil estando empregado inclusive.. 

Existem tambem os ‘vistos regionais (186 e 187), que também são de Residência Permanente. Resumidamente, existem regiões da Austrália que são mais afastadas e consideradas “isoladas” (quase que toda a Australia tirando Sydney, Melbourne, Brisbane, Adeilaide e as cidades ao redor). Nestas regiões, a demanda por pessoas qualificadas é maior, e a lista de demanda mais extensa – existem profissões em demanda nestas ãreas que não estão na lista geral da Austrália. Se você estiver disposto a morar numa destas regiões, pode aplicar para estes vistos. Muito simplificadamente, no caso do 187 você precisa de uma oferta genuina de trabalho, mas o reconhecimento da sua experiência prévia não é tão restrito. Diferentemente do 457, em que a empresa “patrocina” o empregado e paga tudo, aqui a expressão usada é “nomeacao” (nomination), já que fica a critério do empregador e do empregado quem paga pelo processo. Ou seja, se você estiver disposto a pagar pelo processo, o custo para o empregador é zero. No caso do 186 você não precisa da oferta de trabalho, mas tem que reconhecer sua experiência de trabalho como explicado no parágrafo acima. Outra vantagem muito grande dos vistos “regionais” é que o processo é muito mais rápido que pelo Skilled Migration Visa. Aplicando pela Austrália como um todo, o processo pode levar de 2 a 3 anos. Através do Regional leva de 6 a 12 mêses no máximo. O nosso saiu em 9 meses, conhecemos gente que teve o processo aprovado em menos de 6! E por último, você precisa ficar pelo menos 2 anos em uma região “remota” da Austrália (ou pelo menos fazer um ‘esforço genuíno’ – aqui de novo fale com um agente de migração para entender o que significa).

Vou falar mais sobre o 187 abaixo, pois foi a como conseguimos a nossa residência.

Minha experiência:

Nunca tinha pensando em conseguir o PR (Permament Residency) através da minha profissão (educadora infantil). Já havia perguntado para a agência de migração que cuidou do reconhecimento do diploma do meu marido, mas eles haviam falado que não tinha como por mim, pois a posição não estava na “Skilled Migration List” da Austáalia.

Até que fui em um curso sobre a filosofia que o Centre que eu trabalho se inspira (Reggio Emilia) e conheci uma brasileira queridissima, a Ju. Conversamos um monte e como toda conversa que temos entre estrangeiros ela perguntou se tinhamos o PR. Eu disse que não e expliquei nossa situação. Ai ela me solta “mas porque você não aplica por você?”. Ela dividiu a sua experiência comigo, de que educação infantil não esta na Skilled Migration List da Austrália, mas esta na lista de demanda da Western Australia, e que assim poderiamos aplicar pelo 187 se o Centre ou eu trabalho se dispusesse a me nomear (como eu expliquei acima). Abriu um mundo de possibilidades para nós, o que me fez mais uma vez acreditar que nada é por acaso nessa vida.

A Ju ainda teve uma experiência um pouco diferente da minha. Ela morava em Brisbane e aplicou para vagas de emprego em Perth dizendo, especificamente, que precisava de um empregador que a nomeasse para o visto de Residencia Permanente. No meu caso, como eu já trabalhava no Centre há um tempo, tinha que falar com minha chefe, mas sem antes entender como funcionava esse visto, 187. Fui, então, atrás de informação. Mil pesquisas no Google, li relato de pessoas, pesquisei com agências.

Comentei no trabalho com uma colega ucraniana e ela pediu para incluí-la no plano de ação pois ela precisava do PR também. E ainda de quebra, ela tinha mais amigos para dividir a experiência que eles tinham tido, o que nos ajudou muito.

Até que chegou o dia de falar com minha chefe. Estávamos sozinhas, eu fui ajudá-la a comprar umas coisas para o centre, respirei fundo e perguntei. A resposta dela foi “pesquisa o que precisamos fazer porque adoraríamos poder ajudá-la sim, claro. Adoramos você e o que pudermos fazer, vamos”. Ufa!

Marquei uma reunião com o pastor (diretor do Centre que eu trabalho, que é ligado a uma igreja batista), minha chefe e a secretária do centre, fiz uma apresentação no PowerPoint sobre o visto, e pronto. Após a reunião, começou a busca por um agente de imigração. Eles indicaram um conhecido, mas não gostei dele. Buscamos um nosso, por indicação, e eles gostaram dele. Marcamos uma reunião entre o agente e o pessoal do centre para explicar o processo. Tudo claro e resolvido, começamos o processo.

Demos entrada no processo em agosto de 2015 e nosso PR saiu em maio de 2016 (9 meses no total). Em maio desse ano (2017) poderemos aplicar para a cidadania Australiana. 

Um pouco mais sobre o visto 187

Como expliquei la em cima, o 187 é um visto regional em que você precisa de uma oferta de trabalho e que este empregador te ‘nomeie’ para o visto, comprovando que não consegue preencher a vaga com a oferta de mão de obra presente no local (um agente de migração pode explicar melhor). Diferentemente do 457, o empregador nao é um ‘sponsor’ (patrocinador).

Funciona assim em educação infantil: a carência em Perth é para “room leader” (a professora lider da sala) e trabalhando período integral.

A primeira etapa do processo é chamada de RSMS, resumida abaixo: 

– O empregador precisa anunciar a vaga em um site de empregos ou jornal de grande circulação e provar que tentou preencher a vaga com mão de obra local mas não conseguiu. Isso acaba sendo simples de fazer, pois além de realmente existir carência na área, o empregador pode anunciar qualificações especifícas para a vaga, adequando o anúncio a você. Coisas como precisa falar português, ter conhecimento de sustentabilidade, etc.

– O empregador paga uma taxa no valor de aud$250 para ser avaliado pelo governo. É o único gasto do empregador no processo inteiro.

– O empregador te faz uma proposta de trabalho com validade mínima de 2 anos. 

Ai, o departamento de imigração do Estado onde você esta aplicando irá analisar a oferta de trabalho (para saber se é genuina) e fazer uma ‘mini auditoria’ para ver se o seu empregador tem como te pagar salário por 2 anos, se é um negocio ‘sólido’ ou não. É feito pelo próprio Estado onde você esta pois a carência é regional e específica para aquele estado. 

Da parte do empregador, é isso. Essa etapa demora umas 4 semanas. Assim que acaba essa etapa vem a segunda que é mais demorada e cara. 

Após o RSMS ser aprovado pelo estado, o PR propriamente dito é aplicado no nivel Federal. Para tanto, uma série de documentos devem ser apresentados. Veja aqui quais os documentos. 

Essa etapa custa em média de 3 a 5 mil dólares, e esta é etapa que empregador e empregado decidem quem paga. Na maior parte dos casos o empregado que paga, mas tem gente que da sorte e acha um empregador que ainda se oferece a arcar com este custo. Se for seu caso, otimo! Após dar entrada no processo, é gerado um número para que seja feito exame médico. O exame médico consiste em: 

– exame clínico geral

– exames de sangue (inclusive HIV);

– raio X do tórax; 

– exame de urina

E aí começa a etapa mais difícil…. a espera. Dizem os agentes de imigração que uma vez aceito pelo Estado, difícil o PR ser negado no nivel Federal, mas nunca se sabe. 

See ya,

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12 comentários sobre “Austrália: Caminhos para sponsor em Educação Infantil

  1. Amei sua matéria, uma dúvida educadora infantil é a mesma coisa que pedagogia? E os cursos técnicos que tem na Austrália de educação infantil servem como certificado? Eu vi na lista que eles precisam de professores secundários, no caso de pedagogia serve? sonho em dar aulas para crianças ae na Austrália.. bjs

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    1. Oi Bárbara, tudo bem?
      Obrigada por acompanhar o blog.
      Então, sim, mas o Curso da Universidade. Early Childhood Teaching é equivalente a Pedagogia. Você pode reconhecer sua qualificação aqui, ai não precisa fazer outro curso. E sim, tem carência para professores. Minha dica? Estude bastante inglês. Para professor secundário a nota do IELTS é bem alta (8).
      Boa sorte, qualquer dúvida é só mandar.

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  2. Olá Aline!! Tudo bem? Por um acaso encontrei o seu blog. Estou achando interessantíssimo, pois sou aluna de pedagogia com grandes ambições de imigrar para Austrália. Eu estudo inglês, portanto ainda não estou preparada para iniciar o processo.
    Você teria alguns sites para eu pesquisar sobre o mercado de trabalho para professores da EI? Bem como as regiões com mais oferta de emprego?
    Meu marido é engenheiro eletricista e temos 2 filhos. Moramos no RS – Brasil, e estou preocupadíssima com a qualidade de vida e segurança.
    Obrigada!!!
    Grande abraço,
    Daniele

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    1. Oi Daniele, tudo bem?
      Muito obrigada por acompanhar o blog, fico muito feliz em ajudar.
      Os sites sao os de busca de emprego, sempre uso o seek.com.au. Sobre as regioes, a pesquisa tem que ser na mao mesmo. Pelo menos eu nao sei de um site que possa pesquisar por regiao, mas voce pode ver no seek quais os lugares que tem mais oferta.
      Entendo suas preocupacoes, foi por isso tambem que saimos do Brasil.
      Minha sugestao seria voces procurarem um agente de imigracao para passar uma situacao realista das possibilidades de imigrar.
      Qualquer duvida, pode mandar.
      Abracos
      Aline

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  3. Oi Aline tudo bem? Estou adorando seu blog. Sou professora de história no Brasil, já vi toda a parte burocrática de validação de diploma na Austrália, mas tenho duvidas sobre como é na pratica o ensino ai, será que vc poderia me ajudar?
    1) Quantos alunos são em média por sala (secondary teacher);
    2) A preparação das aulas é remunerado?
    3) os contratos de trabalho são de que duração? (tanto em horas de aula quanto estabilidade
    4) Eles realmente contratam professores não falantes nativos? ( a maioria dos relatos que encontrei eram de americanos e ingleses)
    Se você puder ajudar seria lindo, é um investimento muito grande pra eu validar tudo, chegar com PR e não conseguir emprego na minha área ou conseguir e não conseguir me sustentar.
    Obrigada
    Emilía

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    1. Oi Emilia, obrigada por acompanhar o blog 🙂
      Vou tentar responder todas as suas perguntas:
      1. na maioria das escolas em média 30
      2. Depende da escola e do contrtato
      3. Depende também. Pode ser indeterminado ou por periodo
      4. Não é comum, mas acontece sim. Se seu ingles for impeçavel, fluente, sim.

      Entendo sua preocupacao sim. Qualquer coisa, manda 🙂
      Abraços e boa sorte
      Aline

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  4. olá, Aline tudo bem , eu estava justamente pesquisando sobre earlychilhoold . Sou formado em pedagogia aqui no Brasil mas ainda não estou atuando na edução. Estive pesquisando sobre as melhores chances, para mim ai na australia e estava até pensando em uma pos in ( Master of Education Earlychildhoold) que seria de 2 anos, mas por sinal muito caro, por outro lado ja vi que esta profissão esta em demanda na maioria das localidades ai e como vi sua experiencia achei interesante. Bem tenho uma pergunta para você tem muitos homes trabalhando na area ai de earlychildhoold ?.

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    1. Ola Edson, tudo bem?
      Ainda tem bem mais mulher trabalhando na área, mas cada vez mais vejo homens. Onde trabalho temos um homem fixo. As crianças amam e os pais estranharam no começo mas hoje adoram ter ele. Boa sorte 🙂

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